EDUCAR E UM ATO DE AMOR
sábado, 2 de junho de 2012
HÁBITO DA LEITURA
Rosane Magaly Martins
Saber ler é uma exigência das sociedades modernas. Há, contudo, uma importante diferença entre saber ler e a prática efetiva da leitura. Se a habilidade de leitura é uma necessidade pragmática e permite a realização inclusive de atividades básicas, como identificar uma linha de ônibus, ler ofertas ao realizar compras, entre outras ações, a prática da leitura é importante instrumento para o exercício da cidadania e para a participação social.
Anualmente vejo, leio, ouço discussões imensas sobre a necessidade de estimular nosso estudante ao hábito da leitura, fazendo disso uma meta que envolve destinação de verbas de governos municipal, estadual e federal. Então acontecem encontros, simpósios, congressos e outros eventos que reúnem profissionais da educação para discutir o tema com apoios de empresas e entidades. Aqui mesmo em Blumenau acontecerá nos dias 29 e 30 de maio o Encontro Municipal do Proler.
Para quem não sabe (e pouca gente sabe), o PROLER (Programa Nacional de Incentivo à Leitura) é um programa nacional criado através do Decreto Presidencial nº 519, em maio de 1992 e vinculado à Fundação Biblioteca Nacional, órgão do Ministério da Cultura. Articulado em diversas regiões do país, desenvolve ações voltadas aos educadores no estímulo da leitura. Mas será que estas ações revertem efetivamente em prática de leitura?
Percebo o esforço de professores levando crianças às bibliotecas, promovendo sessões de leitura, recebendo os escritores em sala de aula (projeto autor-escola), envolvendo o aluno na criação literária (projeto aluno-escritor). Percebo também o esforço dos pais, comprando, muitas vezes com sacrifício, livros para seus filhos, e o esforço do governo, distribuindo livros, promovendo bibliotecas (o governo federal é o maior comprador de livros de todo o país). Tudo isso é importante, mas não muda a situação.
A situação da leitura no Brasil é precária. Todo o conhecimento acadêmico da humanidade está nos livros, sejam eles concretos ou virtuais. É preciso ler, e saber ler. Na França, cada pessoa lê, em média, 25 livros por ano. No Brasil, a estatística aponta a leitura de pouco mais de um livro por brasileiro. A questão é cultural, de hábito, de vivência.
É difícil tornar um adulto não leitor em leitor. Mas é muito fácil tornar uma criança em leitora. As crianças costumam adorar livros, as histórias, as ilustrações, têm sede de conhecimentos, de fantasias, de descobertas, estão em fase de formação e de adquirir os gostos e hábitos que as acompanharão por toda a vida. Porque não introduzir em todos os currículos escolares a matéria leitura? Uma matéria agradável, de baixo custo e grande rendimento, que não precisa de novos professores, nem de professores especializados. Basta instruir os professores: leiam com as crianças, todos os dias.
O livro deve estar presente, ali perto, ao alcance da mão. É preciso haver em cada sala de aula uma estante com livros, e que todos os dias as crianças fiquem, por um tempo qualquer, meia hora, uma hora, lendo ou ouvindo a leitura, manuseando livros, olhando-os, criando intimidade e amizade com o livro. Todos os dias. E um livro deve ser levado para casa, diariamente, a fim de que os pais promovam também um horário de leitura, todos os dias, mesmo que por apenas meia hora.
O caminho é o de trazer o livro para o cotidiano, dele integrar a rotina tanto na escola como em casa. Não basta gostar, é preciso ter o hábito. E as crianças poderão desenvolve-lo se forem estimuladas e verem seus professores, seus pais, seus colegas lendo diariamente. Simples, aplicável, de resultado certo.
fonte: http://www.overmundo.com.br/overblog/habito-da-leitura
Leitura no Brasil é uma "vergonha", diz "The Economist"
Leitura no Brasil é uma "vergonha", diz "The Economist"
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da Folha Online
A aversão dos brasileiros aos livros virou assunto da última edição da influente revista britânica "The Economist". Para a publicação, a situação precária das bibliotecas públicas e o baixo índice de leitura dos brasileiros constituem "motivo para vergonha nacional", juntamente com o crime e com as taxas de juros.
Leia abaixo uma tradução do texto "Um país de não-leitores" publicado pela "The Economist".
"Muitos brasileiros não sabem ler. Em 2000, um quarto da população com 15 anos ou mais eram analfabetos funcionais. Muitos simplesmente não querem. Apenas um adulto alfabetizado em cada três lê livros. O brasileiro médio lê 1,8 livros não-acadêmicos por ano --menos da metade do que se lê nos EUA ou na Europa. Em uma pesquisa recente sobre hábitos de leitura, os brasileiros ficaram em 27º em um ranking de 30 países, gastando 5,2 horas por semana com um livro. Os argentinos, vizinhos, ficaram em 18º.
Em um raro acordo, governo, empresas e ONGs estão todos se esforçando para mudar isso. No dia 13 de março, o governo lançou o Plano Nacional de Livros e Leitura. A medida busca impulsionar a leitura, por meio da abertura de bibliotecas e do financiamento de editoras, entre outras coisas. A ONG Instituto Brasileiro de Leitura traz livros para as pessoas: a entidade instalou bibliotecas circulantes em duas estações do metrô na cidade de São Paulo, e planeja outra em uma escola de samba. está se tornando comum ver personagens nas novelas da TV lendo. Os cínicos lembram que a Rede Globo, maior emissora de TV do país, também publica livros, jornais e revistas.
Um fator que desencoraja a leitura é os livros serem tão caros. Na Bienal do Livro de São Paulo, nesta semana, "O Código Da Vinci" estava à venda por R$ 32 --mais de 10% no salário mínimo do país. A maioria dos livros tem tiragens baixas, puxando para cima os preços.
Mas a indiferença dos brasileiros pelos livros tem raízes mais profundas. Séculos de escravidão levaram os líderes do país a negligenciar a educação. A escola primária só se tornou universal na década de 90. O rádio era uma presença constante já nos anos 30; as bibliotecas e as livrarias ainda não conseguiram emplacar. "A experiência eletrônica chegou antes da experiência escrita", disse Marino Lobello, da Câmara Brasileira do Livro, um órgão da indústria.
Tudo isso significa que o mercado de livros brasileiro tem o maior potencial de crescimento no mundo ocidental, lembra Lobello. Essa idéia tem atraído editoras estrangeiras, tais como a espanhola Prisa-Santillana, que comprou uma casa editorial local no ano passado. Editoras evangélicas americanas miram o mercado de livros religiosos, que superam as vendas de livros de ficção no Brasil.
Mas a leitura é um hábito difícil de formar. Os brasileiros compraram menos livros em 2004 --289 milhões, incluindo livros didáticos distribuídos pelo governo-- do que em 1991. No ano passado, o diretor da Biblioteca Nacional se demitiu após um mandato controverso. Ele se queixou de ter menos bibliotecários do que precisava e de que as traças já haviam roído muito do acervo. Juntamente com o crime e com as taxas de juros, isso é motivo para vergonha nacional."
fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u58816.shtml
Brasil tem hoje menos leitores do que em 2007
Brasil tem hoje menos leitores do que em 2007
por: Equipe do Educar para Crescer
Pesquisa do Instituto Pró-Livro também mostrou que a média de livros lidos caiu entre a população brasileira
A pesquisa foi apresentada no II Seminário Retratos da Leitura no Brasil, dia 28 de março, em Brasília. Foto: Fotoforum / Cristiano Sérgio
*Por Beatriz Montesanti
O brasileiro lê em média 4 livros por ano. E destes quatro, termina apenas dois. É o que mostrou a terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro. Este número é ainda menor do que o apresentado pela edição anterior da pesquisa, feita em 2007, quando foi constatado que lia-se em média 4,7 livros por ano .
Realizada pelo IBOPE Inteligência, entre junho e julho de 2011, a pesquisa ainda constatou que o índice de leitores no Brasil caiu: a penetração anterior da leitura era de 55% (cerca de 95,6 milhões) e passou para 50% (88,2 milhões) da população com cinco anos de idade ou mais (178 milhões, em 2011). São considerados leitores as pessoas que leram pelo menos um livro nos últimos três meses.
A bíblia permanece em primeiro lugar de preferência dos leitores, seguida por livros didáticos, romances, livros religiosos, contos e literatura infantil, entre outros.
O Nordeste despontou como a região de maior penetração dos livros (51%), posição justificada pelo aumento do número de estudantes. Em contrapartida, o Centro-Oeste tem a melhor média de livros lidos por pessoa, com 2,12 exemplares.
Além disso, a pesquisa revelou que o papel do professor e das escolas cresceu no incentivo à leitura (45%), em comparação com a pesquisa de 2007, quando os pais apareceram como os principais motivadores (43%). Ainda assim, a diferença é bem pequena.
O fato que não muda em nenhuma edição, no entanto, é o de que a escolaridade, a classe social e o ambiente familiar estão profundamente relacionados com a penetração da leitura e a média de livros. Quanto mais escolarizado ou mais rico é o entrevistado, maior é a penetração da leitura e a média de livros lidos nos últimos 3 meses.
Confira outros dados relevantes da pesquisa:
O poder do exemplo
- O professor ultrapassou a figura da mãe como ator que mais influenciou os leitores a lerem. Os pais estão em terceiro lugar. Além disso, 93% leem em casa, por isso o bom exemplo dos pais diante dos filhos é importante.
- 87% dos consideradas não-leitores nunca foram presenteados com livros na infância.
- 88% dos considerados leitores julgaram “importante” ter ganhado livros na influência do gosto pela leitura.
- 63% dos consideradas não-leitores nunca viram a mãe lendo – a porcentagem vai para 68% quando se trata do exemplo paterno.
Bibliotecas
- 75% da população com 5 anos ou mais não usa a biblioteca.
- Apesar de 67% dos entrevistados saberem da existência de uma biblioteca pública em sua cidade, apenas 24% deles afirmam frequentá-las e só 12% usam seu espaço para ler.
- 33% dos 164,8 milhões de brasileiros que não frequentam bibliotecas responderam que nada os faria passar a frequentá-las.
Motivos para não ler
1) Por falta de tempo (citado por 53% dos não-leitores)
2) Por desinteresse/ Não gosta de ler (citado por 30% dos não-leitores)
3) Porque prefiro outras atividades (citado por 21% dos não-leitores)
Outros
- 70% das pessoas que têm livros em casa não emprestam.
- Os quatro livros mais citados pelos leitores: Bíblia, Ágape (Padre Marcelo Rossi), A Cabana (William P. Young) e Crepúsculo (Stephenie Meyer), nesta ordem.
FONTE: http://educarparacrescer.abril.com.br/blog/boletim-educacao/2012/03/30/brasil-tem-hoje-menos-leitores-em-2007/
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PROJETO: LEITURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
I. INTRODUÇÃO
O presente trabalho foi elaborado com duas finalidades: preencher os requisitos necessários para a conclusão do curso de Pós-Graduação e atender o desejo de refletir sobre a prática pedagógica na educação infantil, à luz de uma pesquisa científica sociointeracionista.
Na tentativa de ampliar os recursos a serem utilizados pelo aluno em interação com o meio, a escola adota vários procedimentos embora nem sempre esse objetivo seja alcançado. Hoje, convivemos com uma realidade escolar onde grande parte dos alunos alcança a 2ª etapa do Ensino Fundamental sem desenvolver a competência de interpretação de textos.
Diante dessa constatação, surge uma questão que preocupa muitos educadores: Como desenvolver nos alunos a habilidade de interpretar textos?
Acreditamos que nessa investigação é importante considerar as práticas de leitura e de escrita como elementos significativos para ampliar a nossa compreensão sobre o objeto de pesquisa proposto. A prática da leitura se faz presente em todos os níveis educacionais desde o período da alfabetização. A escola concebe o livro didático como instrumento básico, como um complemento primeiro às funções pedagógicas exercidas pelo professor.
É por essa razão que o texto escrito é colocado no centro da vivência professor – aluno, despontando como mediador dessa relação e veículo para instigar discussões, reflexões ou novas práticas. Percebemos que a escola dá um enfoque especial nas atividades de leitura; essa tendência a trabalhar a leitura como uma “ação mecanizada”, descontextualizada de seu real sentido, compromete a construção de sentido e significado do texto para os (as) alunos (as).
CUNHA defende que,
A idéia de que a leitura vai fazer um bem à criança ou ao jovem leva-nos a obrigá-los a ler, como lhes impomos à colher de remédio, à injeção, à escova de dentes, à escola. Assim, é comum o menino sentir-se coagido, tendo de submeter-se a uma avaliação, e sendo punido se não cumprir as regras do jogo que ele não definiu, nem entendeu. É a tortura sutil e sem mar “observáveis a olho nu”, de que não nos damos conta (1997, pág: 51).
Para a autora, a prática da leitura vem sendo tratada, quase sempre, com um caráter utilitarista, pouco ou nada contribuindo com a formação de alunos leitores.
II. JUSTIFICATIVA
A finalidade desta pesquisa é de entender como se dá aprendizagem e o desenvolvimento do hábito de ler desde a educação infantil.
O tema aqui investigado, embora já tenha sido amplamente discutido pelos educadores, ainda é cercado por dúvidas. Convive-se hoje num mundo com variadas culturas, variados veículos de informação, bem como, grande divulgação de informações de todos os tipos. Percebe-se também uma necessidade cada vez maior das pessoas transitarem de um lugar para outro. Todos estes aspectos da vida cotidiana exigem a compreensão de diferentes linguagens e de grande interação com o que está ao nosso redor. A escola tenta propiciar aos alunos os conhecimentos necessários para compreender, se adaptar e construir opiniões, em seus contatos com diversos ambientes e pessoas.
Diante disso, surgiu-me o interesse em desenvolver uma pesquisa e analisar as práticas ocorridas na escola em relação ao ensino da leitura com o intuito de detectar como ocorre a aprendizagem da mesma. A pesquisa será realizada na E.M Raul Soares, da cidade de Alto Rio Doce, interior de Minas Gerais.
Este estudo poderá servir de apoio aos profissionais da educação, orientando-os de forma a aprimorar a compreensão e o trabalho com alunos que apresentam problemas de aprendizagem na leitura na educação infantil.
III. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Compreender o universo de interlocução entre leitor e autor é uma estratégia que poderá ampliar nosso espaço de mediação no que diz respeito às dificuldades de interpretação de textos dos alunos.
Para KLEIMAN,
a leitura é um ato social, entre dois sujeitos – leitor e autor – que interagem entre si, obedecendo a objetivos e necessidades socialmente determinados. Essa dimensão interacional, que para nós é a mais importante do ato de ler, é explicitada toda vez que a base textual sobre a qual o leitor se apoia precisa ser elaborada, pois essa base textual é entendida como a materialização de significados e intenções de um dos interagentes à distância via texto escrito (1997; pág. 10).
Esta reflexão nos mostra que um texto não tem significado exclusivamente por si mesmo. O seu sentido é construído na interação entre produtor e leitor. A autora defende que a compreensão do texto parece freqüentemente tarefa difícil uma vez que o objeto a ser compreendido é complexo envolvendo conhecimentos como compreensão de frases e sentenças, de argumentos, de provas formais e informais, de objetivos, de intenções, de ações e motivações.
“Para a compreensão do texto é necessário também poder relacioná-lo a um todo maior, dando-lhe coerência” (KLEIMAN; 1997; pág. 10).
Para compreender um texto, portanto, o leitor precisa deter os conhecimentos necessários à sua interpretação. No momento em que compreendemos o texto, estamos atribuindo-lhe significado através de uma reconstrução do mesmo. Utilizamos para isso o nosso repertório de leitura ativando nossas experiências e saberes no processo de decodificação que podem ser estimulados pelas “pistas de leitura”.
Há um grande repertório de portadores de texto em nossos dias e diversos deles são de fácil acesso público como jornais, revistas e mesmo livros, que podem se encontrados em bibliotecas públicas e escolas.
No entanto, a habilidade de compreender um texto e interpretá-lo vem ainda representando uma dificuldade para um grande número de crianças.
Muitos educadores acreditam que crianças que convivem com um meio letrado, sendo estimuladas a ler, possuem maiores e melhores condições de desenvolver sua criticidade em seu entorno social.
Contudo, numa sociedade onde estão presentes a injustiça, a desigualdade, a miséria e a fome não é difícil encontrar pessoas que não têm acesso à informação sistematizada, aos diversos conhecimentos produzidos preferencialmente no interior das escolas. Se questionados os educadores dirão que atualmente é dever da escola promover a democratização da leitura. Entretanto faz-se necessário analisar como vem ocorrendo a circulação dos textos no ambiente escolar e a produção de sentido sobre os mesmos. Observa-se certa rigidez e controle sobre o ato de leitura e interpretação dos textos na escola.
A escola, que se pretende democrática, na verdade, também exclui, pois mesmo os alunos que têm acesso a ela sofrem, muitas vezes, um tipo velado de exclusão. Isso porque a inscrição do sujeito leitor se faz controlada e dirigida. Ele é instado a confessar aos outros a sua leitura e a corrigi-la na direção do consenso. Dessa forma, pode-se observar um controle do imaginário que se faz continuamente em nome da aquisição do conhecimento. Daí resulta um conhecimento construído sem imaginação e sem investimento pessoal do leitor. (PAULINO, WALTY, FONSECA, CURY; 2001, pág: 27).
A citação anterior respalda a percepção de uma cultura “velada” de exclusão, onde a prática de leitura, da linguagem oral e gráfica são pensadas, trabalhadas e avaliadas a partir de elementos controladores que ferem o significado das mesmas, enquanto manifestações de livre expressão dos sujeitos. Historicamente convivemos nos espaços escolares, com sinais bem marcados que denunciam o ciclo da exclusão: inicialmente, a exclusão se dava logo na entrada, não havia acesso à escola para todos. Depois a evasão seguida da retenção passaram a corporificar a exclusão.
Segundo BETTELHEIM,
Boa parte dos procedimentos cotidianos das escolas são concedidas por causa das necessidades do sistema educacional estabelecido, e essas necessidades, freqüentemente, prevalecem sobre as necessidades das crianças (1984, pág: 17).
Reportando ao objeto da pesquisa, as chamadas “dificuldades de interpretação” podem se conseqüentes de projetos (atividades) esvaziadas de sentido para as crianças mas que, respondem às “exigências do sistema”.
Percebemos que existe um grande esforço por parte de alguns educadores em desenvolver estratégias que amenizem as dificuldades interpretativas dos alunos.
Neste aspecto, BETTELHEIM diz da importância do prazer para a construção do sentido / significado do que a criança lê para depois, e/ou paralelamente, ela possa interpretar, significar, estabelecer relações.
Para o autor, a capacidade de ler é de importância tão singular para a vida de uma criança na escola, que a experiência na aprendizagem da leitura mais do freqüentemente, sela seu destino, uma vez para sempre, em relação à sua vida acadêmica.
Neste sentido, se a leitura parecer uma experiência interessante e válida, terá papel fundamental na formação integral do ser humano. Faz-se necessário a formação de conceitos, sendo esta, por sua vez, dependente dos padrões de interpretação a ele oferecidos.
Segundo CADEMARTORI,
as diferentes manifestações culturais constituem-se em padrões de interpretação. Entre elas, destaca-se, seja pela alta elaboração própria do código verbal, seja pelo envolvimento emocional e estético que propicia, a literatura (1986; pág. 22.).
Acreditando-se, então, no enriquecimento propiciado pela experiência estética vemos um grande número de educadores buscando o texto literário, acreditando em suas possibilidades de aliar o prazer da leitura à produção de sentido pelos educandos.
Buscamos novamente as contribuições de BETTELHEIM acerca da importância da literatura na formação do aluno, na significação do seu cotidiano dentro e fora do ambiente escolar. Para ele,
a observação de como a criança se perde no mundo e esquecem todas as suas preocupações quando está lendo uma história que a fascina, como ela vive, em fantasia, o mundo dessa história mesmo bem depois que ela terminou de ler a história, isto tudo nos mostra como é fácil para as crianças ficarem presas aos livros, contanto que eles sejam os livros apropriados (1984, pág: 49).
Ler é uma atividade de maior significado do que se pensa, já que imaginação, interesse, curiosidade, observação e estímulo são condições básicas para que as palavras sejam lidas com um propósito maior do que o de decifrar códigos, unir letras para saber os significados que elas produzem ou os sons que emitem juntas.
IV. OBJETIVOS
GERAL
Investigar as práticas de leitura e como esta poderá contribuir na melhoria da habilidade de interpretação de textos e, conseqüentemente na formação de alunos leitores.
ESPECÍFICOS
•compreender como é a prática de leitura na educação infantil;
•identificar estratégias utilizadas pelos professores afim de desenvolver nos alunos o hábito de ler;
•entender o que é necessário faze, para que os alunos se tornem leitores autênticos;
V. METODOLOGIA
Para essa pesquisa foram selecionados como público alvo 10 alunos e 3 professoras da rede pública municipal, todos pertencentes à 3ª série do Ensino Fundamental da cidade de Barbacena.
Nomeou-se como metodologia uma pesquisa qualitativa com abordagem etnográfica e foram escolhidos como instrumentos para a coleta de dados a observação não participante dos (as) alunos (as) e de uma professora durante as aulas de Português e Literatura, levantando dados sobre a relação Literatura Infantil / produção de sentidos; Entrevista semi-estruturada com três professoras da 3ª série para levantar dados sobre o trabalho literário e a prática de interpretação desenvolvidos no contexto escolar; Entrevista numa amostragem de 10 alunos, tendo sido os mesmos selecionados através de sorteio, garantido o equilíbrio entre o número de meninos e de meninas.
Assim, diante dessas reflexões, propõe-se investigar se a prática da literatura poderá contribuir na melhoria da habilidade de interpretação de textos e, conseqüentemente na formação de alunos leitores.
Espera-se, com este trabalho, contribuir na construção de conhecimentos que nos informem o real alcance dessa estratégia no contexto do ensino brasileiro.
VI. CRONOGRAMA
CRONOGRAMA 2006
MÊS/ ATIVIDADES
M
A
M
J
J
A
S
O
REVISÃO DA LITERATURA
X
X
X
ELABORA/ DO PROJETO
X
X
X
COLETA DE DADOS
X
X
X
ANÁLISE DE DADOS
X
X
X
ELABORA/MONOGRAFIA
X
VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BETTELHEIM, Bruno. Psicanálise da Alfabetização, por Bruno Bettelheim e Karem Zelan. Tad. de José Luiz Caon. Porto Alegre: Artes médicas, 1984.
CADEMARTORI, Ligia. O que é Literatura Infantil. São Paulo: Brasiliense, 1986.
CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura Infantil Teoria e Prática. São Paulo: Ática, 1997.
KLEIMAN, Angela. Texto e Leitor: Aspectos Cognitivos da Leitura. Campinas, SP: Pontes, 1997.
PAULINO, Graça; WALTY, Ivete; FONSECA, Maria Nazareth; CURY, Maria Zilda. Tipos de Textos, Modos de Leitura. Belo Horizonte: Formato Editorial, 2001.
VIII. ANEXOS
ANEXO I
ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO
1 – Em relação ao (a) aluno (a):
•Formas de organização da turma durante as atividades de literatura.
•Tipos de atividades desenvolvidas (questionários, dramatizações, debates, resumos, desenhos, recontos) e por quais demonstra mais interesse.
•Comportamentos que demonstram individualmente (inquietação, interesse, deboche).
•Relacionamento com os colegas.
•Apresenta dificuldades de aprendizagem (participa, opina, contrapõe com argumentos, critica, apático com relação aos conteúdos).
•Como se comportam em atividades extraclasses (biblioteca).
•Demonstra interesse por quais estilos literários?
•Que nível de interesse e participação demonstra nas atividades de Língua Portuguesa?
2 – Em relação ao (a) professor (a):
•Em quais momentos utiliza a literatura como forma de incentivo, integrando com outros conteúdos.
•Demonstra gosto pelo trabalho com literatura se envolvendo no mesmo.
•Procura integrar os conteúdos de Literatura e Português de forma a despertar o interesse dos alunos.
•Procura diversificar os títulos e procedimentos didáticos.
•Procura integrar os títulos à realidade da vida e interesses dos alunos.
ANEXO II
ENTREVISTAS
Roteiro de questões para a realização da Entrevista com os (as) alunos (as) da série observada.
1 – Você acha importante saber ler? Por quê?
2 – Em que locais você costuma ler?
3 – Quando você escolhe um livro, o escolhe por quê?
4 – Há livros em sua casa? De que tipo?
5 – Qual a escolaridade dos seus pais? Eles têm o hábito de ler?
6 – Você comenta com alguém sobre os livros que lê? Com quem?
7 – O que você considera melhor no ato de ler? E o que é pior?
8 – Na escola que tipos de livros você lê? Onde é praticada essa leitura?
9 – Você leva livros da escola para ler em casa? Quando leva é porque você quer ou a professora manda?
10 – Quando sua turma lê um livro, que tipo de atividades vocês fazem depois? Você gosta dessas atividades ou preferiria fazer outra coisa?
11 – Ler os textos do livro de Português e outros trazidos pelo (a) professor (a) são difíceis ou você têm facilidade de entendê-los e responder às questões?
Entrevista realizada com o (a) professor (a) da série observada.
1 – Para você, o que é ser um bom leitor?
2 – Você se considera um bom leitor? Por quê?
3 – Qual o seu gênero de leitura preferido?
4 – O que é necessário para um aluno ser um bom leitor? Por quê?
5 – Como você define a melhor forma do aluno entrar em contato com a leitura?
6 – A escola oferece oportunidade de familiarização da criança com os livros?
7 – De que maneira você trabalha a leitura dentro do contexto escolar? Em que momentos você considera esse trabalho oportuno?
8 – Quantas vezes por semana você trabalha com literatura? Por quê?
9 – Qual é a forma mais freqüente de você cobrar a leitura do livro pelo aluno?
•Tema: Projeto
•Instituição: E. E. José Dias Pedrosa
•Autor: Marlene Aparecida Viana Abreu
fonte: www.pedagogiaaopedaletra.com/posts/projeto-leitura-na-educacao-infantil/
A Importância Da Leitura Nas Séries Iniciais
RESUMO
Este artigo foi elaborado na área da Educação, tendo como subárea a pedagogia, no qual foi enfocada a importância do trabalho de motivação da leitura nas séries iniciais e a na formação de leitores. Tratou-se, portanto, de uma pesquisa bibliográfica com estudos aprofundados, consubstanciados em referencial literário existente. Na criança esta leitura através dos sentidos revela um prazer singular; esses primeiros contatos propiciam à criança a descoberta do trabalho, motivam-na para a concretização do ato de ler o texto escrito. A escola torna-se fator fundamental na aquisição do hábito da leitura e formação do leitor, pois mesmo com suas limitações, ela é o espaço destinado ao aprendizado da leitura. Essas leituras, guiadas por diferentes objetivos, produzem efeitos diferentes, que modificam a ação do leitor diante do texto. Entende-se que a leitura é um dos caminhos de inserção no mundo e da satisfação de necessidades do ser humano. Neste artigo percebeu-se como importância trabalhar a discussão sobre a "Leitura do professor, leitura do aluno: processos de formação continuada" sendo de forma concomitantemente de duas vertentes de atuação: práticas educativas que promovessem a formação do aluno leitor e práticas de formação que propiciassem reflexões sobre a condição do professor leitor.
1. INTRODUÇÃO
No momento atual, a tônica no ensino de língua está no texto. Mas muitas pessoas ainda desconhecem os estudos que têm sido feitos nas áreas da psicolingüística e da lingüística textual ou conhecem, porém não tem ainda muito claro como colocá-los em prática em sala de aula.
Mediante a isso, procura-se neste estudo reunir, na sua fundamentação, questões teóricas de diversas fontes sobre leitura e escritura de textos, bem como sobre outras questões relativas à textualidade, gêneros textuais, motivação e letramento que julgo serem necessárias para poder dá consistência a essa reflexão pedagógica.
Ressalta-se, porém, que este trabalho só traz idéias básicas, não eximindo a leitura das obras originais consultadas. Pelo contrário, espera-se que essas idéias trazidas sirvam de estímulo para a busca às fontes. De modo algum estou querendo passar receitas prontas, mas tentando servir como uma espécie de "pontapé inicial" para trabalhos com leitura diversos gêneros textuais em sala de aula.
A leitura, as práticas e as competências leitoras têm ocupado espaço considerável na educação e na mídia brasileira. Em 2003, o Brasil obteve desempenho insatisfatório em duas grandes pesquisas: uma de âmbito nacional - Instituto Paulo Montenegro - divulgou que 72% de jovens são alfabetos funcionais, ou seja, não sabem ler e escrever. Em outra internacional, o PISA - Programa Internacional para Avaliação de Estudantes, o país ocupou o 37o. lugar em letramento de leitura. Algumas ações têm tentado mobilizar escolas, professores, diretores e sociedade para mudar este quadro: PNLD - Programa Nacional do Trabalho Didático através dos módulos literários, o PNBE - Programa Nacional Biblioteca na Escola, campanhas como "Tempo de Leitura" e "Literatura em Minha Casa", entre outras. Estas iniciativas mostram algo em comum: a utilização de textos literários e a proposta para o uso de diversos tipos de textos nas ações voltadas para leitura. No entanto, nota-se que as instituições de ensino encontram dificuldades em fazer uso da literatura como objeto de leitura.
Entre vários problemas estruturais já tão denunciados pelas pesquisas e estudos realizados, ressalta-se aqui a questão da formação docente como um dos principais entraves a uma prática educativa de qualidade, especialmente no que se refere ao ensino da leitura. Entende se que, ainda que todos os quesitos ideais necessários a uma prática de ensino da leitura fossem efetivados na escola, indispensável seria a presença de professores leitores, que sentissem prazer na leitura, que fossem bem informados e instrumentalizados para tal prática.
O ensino da leitura e, particularmente, a importância da literatura na formação pessoal e intelectual do ser humano ainda nas séries iniciais, encontram pouco espaço nos programas de formação inicial e continuada das escolas brasileiras. Este estudo pretende desenvolver atividades que convergem para ações voltadas diretamente para alunos e professores das séries iniciais do ensino fundamental.
Os objetivos gerais do estudo consistiu em formar o leitor autônomo (alunos e professores das séries iniciais), através do estímulo à sensibilidade, criatividade e criticidade e da formação do gosto pela leitura, contribuindo para a construção de uma cidadania plena. Prevê na motivação da leitura nas séries iniciais para a formação de leitores efetivamente comprometidos com a prática social. Tais objetivos podem ser traduzidos nas seguintes ações que vem sendo implementadas paulatinamente.
Assim este estudo definiu como importante o cultivo do espaço da biblioteca, através do Laboratório de Leitura, Literatura e Educação, como lugar onde a prática de leitura não esteja restrita à pesquisa e consulta, mas voltada para a satisfação de necessidades mais amplas do ser humano (culturais, afetivas, estéticas, etc.); Estimular o uso da literatura infantil como elemento essencial para a formação do leitor nas séries iniciais; Estimular o trabalho com a oralidade no texto literário, aproveitando o universo infantil para as várias possibilidades de leitura; Formar o professor das séries iniciais como contador de histórias e criar conjuntamente metodologias que proporcionem a formação do gosto; Acompanhar e orientar o trabalho desenvolvido por professores em sala de aula; Disseminar e multiplicar as metodologias para formação do leitor; Habilitar o aluno para consulta em bibliotecas (conhecimento de regras de funcionamento, cuidados com acervo, procedimentos para inscrição, consulta e/ou retirada de trabalhos, etc.);
Constituir acervo diversificado de literatura infantil e de material didático-pedagógico para alunos e professores, bem como produzir guias de leitura que auxiliem na seleção de obras literárias adequadas para o trabalho nas séries iniciais; expandir as formas de interpretação de textos escritos para diferentes campos de linguagem (teatro, artes plásticas, música, cinema, etc.). Proporcionar acesso de alunos das séries iniciais a novas tecnologias, como o computador, por exemplo, desmistificando seu uso e viabilizando-o como nova possibilidade de linguagem.
FOnte: http://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-da-leitura-nas-series-iniciais/3046/
FOnte: http://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-da-leitura-nas-series-iniciais/3046/
Filme João e Maria Dublado
Filme : joao e Maria
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=JmOLusnK4yU&feature=related
A MENINA QUE ODIAVA LIVROS
Animação conta a história de Nina, uma menina que não gostava de ler, mas que, ao se deparar com o rico universo da leitura, descobre uma nova realidade. Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=geQl2cZxR7Q
Aladim e a Lampada
Aladim e a Lampada
Aladim e a Lampada
"Aladim era filho de um pobre alfaiate que vivia numa cidade da China. Quando seu pai morreu, ele era muito jovem, e sua mãe teve que fiar algodão, dia e noite, para sustentá-lo. Um dia, quando tinha mais ou menos quinze anos, estava brincando na rua, com alguns companheiros. Um estranho que passava parou para olhá-lo. Era um mágico africano que necessitava da ajuda de um jovem. Percebeu logo que Aladim era exatamente quem ele procurava.
Primeiro, o mágico indagou das pessoas que estavam ali, quem era o menino. Depois, dirigiu-se a ele e disse:
- Meu rapaz, você não é filho de Mustafá, o alfaiate?
- Sim, senhor, mas meu pai morreu há muito tempo, respondeu o rapaz.
Ao ouvir estas palavras, o mágico abraçou Aladim, com os olhos cheios de lágrimas, e disse:
- Você é meu sobrinho, pois seu pai era meu irmão. Eu o conheci à primeira vista, porque você é muito parecido com ele.
O homem deu duas moedas de ouro a Aladim, dizendo:
- Vá para casa e diga à sua mãe que irei jantar com vocês.
Encantado com o dinheiro, Aladim correu para casa.
- Mamãe, eu tenho algum tio? perguntou ele.
- Não, meu filho. Seu pai não tinha irmãos e eu também não os tenho, respondeu a senhora.
- Acabo de encontrar um senhor que me disse ser irmão de papai. Deu-me este dinheiro e mandou dizer-lhe que jantaria aqui hoje.
A senhora ficou muito admirada, mas saiu para fazer compras e passou o dia preparando o jantar. Exatamente quando tudo ficou pronto, o mágico bateu à porta. Entrou trazendo embrulhos de frutas e doces. Cumprimentou a mãe de Aladim e, com lágrimas nos olhos, pediu-lhe que indicasse o lugar em que o irmão costumava sentar-se. Durante o jantar, pôs-se a descrever suas viagens.
- Minha boa irmã, começou ele. Não me admiro de que você nunca me tivesse visto. Estive quarenta anos fora deste país. Viajei por muitos lugares. Estou realmente triste por saber da morte de meu irmão, mas é um conforto saber que ele deixou um filho tão encantador!! Virando-se para Aladim, perguntou-lhe:
- Que faz você? Trabalha no comércio?
Aladim abaixou a cabeça, sem ter o que dizer. Sua mãe, então, explicou:
- Infelizmente ele nada faz. Passa os dias desperdiçando o tempo a brincar na rua.
- Isto não vai bem , meu sobrinho, disse o mágico. É preciso pensar num meio de ganhar a vida. Eu gostaria de ajudá-lo. Se você quiser, abrirei uma loja para você.
Aladim ficou muito contente com a idéia. Disse ao mágico que não havia nada que o encantasse mais.
- Bem, resolveu o homem. Amanhã sairemos e comprar-lhe-ei roupas elegantes. Depois, então, pensaremos na loja.
No dia seguinte, ele voltou, como havia prometido, e levou Aladim a uma casa que vendia roupas lindas. O menino escolheu as que mais lhe agradaram. Depois deram um passeio pela cidade. À noite, foram a uma festa. Quando a mãe de Aladim o viu voltar tão elegante e o ouviu contar tudo que haviam feito, ficou muito contente.
- Bondoso irmão, disse ao mágico, não sei como agradecer-lhe tanta bondade.
- Aladim é um bom rapaz, disse ele, e bem merece que se faça tudo por ele. Algum dia nos orgulharemos dele. Amanhã virei buscá-lo, para dar um passeio no campo. Depois de amanhã, então, abriremos a loja.
No dia seguinte, Aladim levantou-se muito cedo e foi ao encontro do tio. Andaram muito até que chegaram a uma fonte de água clara. O mágico abriu um embrulho de frutas e bolos. Quando acabaram de comer, continuaram a andar até que chegaram a um vale estreito, cercado de montanhas. Era este o lugar que o homem esperava encontrar. Ali havia levado Aladim por um motivo secreto.
- Não iremos adiante, comunicou ao rapaz. Mostrarei a você algumas coisas que ninguém ainda viu. Enquanto risco um fósforo, cate todos os gravetos que encontrar para acender o fogo.
Aladim num instante arranjou um pilha de gravetos, aos quais o mágico atiçou fogo. Quando as chamas cresceram, atirou-lhes um pouco de incenso e pronunciou umas palavras mágicas que Aladim não entendeu. Imediatamente a terra se abriu a seus pés e apareceu uma grande pedra, em cuja parte superior havia uma argola de ferro. Aladim estava tão assustado que teria fugido se o mágico não o detivesse.
- Se você me obedecer, não se arrependerá. Debaixo desta pedra está escondido um tesouro que o fará mais rico do que todos os reis do mundo. Você deverá, entretanto, fazer exatamente o que eu digo, para conseguí-lo.
O medo de Aladim desapareceu e ele declarou ao tio:
- Que tenho a fazer? Estou pronto a obedecer.
- Segure a argola e levante a pedra, disse o homem.
Aladim fez o que o mágico havia dito. Suspendeu a pedra e deixou-a de lado. Apareceu uma escada que conduzia a uma porta.
- Desça estes degraus e abra aquela porta, ordenou o mágico. Você entrará num palácio onde há três enormes salões. Em cada um deles verá quatro vasos cheios de ouro e prata. Não mexa em nenhum deles. Passe através dos três salões sem parar. Tenha cuidado para não se encostar nas paredes. Se o fizer, morrerá instantâneamente. No fim do terceiro salão, há uma porta que dá para um pomar, onde as árvores estão carregadas de lindas frutas. Atravessando o pomar, você chegará a um muro no qual encontrará um nicho. Nesse nicho, há uma lâmpada acesa. Pegue a lâmpada, jogue fora o pavio e o azeite, e traga-a o mais depressa que puder. Dizendo estas palavras, o mágico tirou do dedo um anel que ofereceu a Aladim, explicando:
- Se você me obedecer, isto o protegerá contra todos os males. Vá, meu filho. Faça tudo o que eu disse e ambos seremos felizes para o resto da vida.
Aladim desceu os degraus e abriu a porta. Encontrou três salões. Atravessou-os cuidadosamente e chegou ao pomar. Foi até o muro e apanhou a lâmpada no nicho. Jogou fora o pavio e o azeite. Finalmente, prendeu a lampada no cinturão. Já estava decidido a voltar, mas, olhando para as árvores, ficou encantado com as frutas. Eram de cores diferentes: brancas, vermelhas, verdes, azuis, roxas, todas cintilantes. Na verdade, não eram frutas, mas pedras preciosas: pérolas, diamantes, rubis, esmeraldas, safiras e ametistas. Aladim, não sabendo seu valor, pensou que eram simples pedaços de vidro. Ficou, entretanto, encantado com as cores e apanhou algumas de cada cor. Encheu os bolsos e também a bolsa de couro que trazia presa ao cinturão. Assim carregado de tesouros, correu pelos salões e logo chegou à boca da caverna. Viu o tio que o esperava no alto da escada e pediu-lhe:
- Dê-me a mão, meu tio, e ajude-me a sair daqui.
- Primeiro, entregue-me a lâmpada, exigiu o mágico.
- Na verdade, não posso fazê-lo agora, pois trago outras coisas que me dificultam a subida, mas assim que estiver aí em cima, entregá-la-ei, explicou Aladim.
O mágico, que estava aflito para possuir a lâmpada, irritou-se e atirou um pouco de incenso ao fogo, pronunciando, depois, algumas palavras mágicas. Imediatamente a pedra voltou ao seu lugar, tapando a saída da estranha caverna. Quando Aladim se viu na escuridão, chamou o mágico e implorou-lhe que o tirasse dali. Prometeu-lhe mil vezes que lhe daria a lâmpada. Seus rogos, entretanto, foram em vão. Desesperado, tentou atingir novamente a porta que conduzia aos salões, para ver se conseguia chegar ao pomar. A porta, porém, estava fechada. Durante dois dias, Aladim permaneceu na escuridão, sem comer, nem beber. Por fim, juntou as mãos para rezar e, ao fazê-lo, esfregou o anel que o mágico tinha posto em seu dedo. No mesmo instante, um gênio, enorme e assustador, surgiu da terra, dizendo:
- Que deseja? Sou o escravo do anel e cumprirei suas ordens.
Aladim replicou:
- Tire-me daqui.
Logo a terra se abriu e ele se encontrou lá fora. Muito artordoado foi andando para casa e, ao chegar, caiu desfalecido junto à porta. Quando voltou a si, contou à mãe o que lhe havia acontecido. Mostrou-lhe a lâmpada e as frutas que tinha trazido. Pediu-lhe, depois, alguma coisa para comer, ao que ela respondeu:
- Meu filho, nada tenho em casa, mas fiei algum algodão e irei vendê-lo.
- Em vez do algodão, mamãe, venda a lâmpada, propôs o menino.
Ela apanhou a lâmpada e começou a esfregá-la, porque estava muito suja. Nesse momento, surgiu um gênio que gritou bem alto:
- Sou o gênio da lâmpada e obedecerei à pessoa que a estiver segurando.
A senhora estava assustada demais para poder falar, mas o menino agarrou-a ousadamente e disse:
- Arranje-me alguma coisa para comer.
O gênio desapareceu e voltou equilibrando na cabeça uma bandeja de prata na qual havia doze pratos, também de prata, cheios das melhores iguarias. Havia ainda dois pratos e dois copos vazios. Colocou a bandeja na mesa e dasapareceu outra vez. Aladim e sua mãe sentaram-se e comeram com grande prazer. Nunca haviam provado comida tão gostosa. Depois de comerem tudo, venderam os pratos, conseguindo, assim, dinheiro que deu para viverem por algum tempo com bastante conforto.
Um dia, quando passeava pela cidade, Aladim ouviu uma ordem do sultão mandando que fechassem as lojas e saíssem todos das ruas, pois sua filha, a princesa, ia ao banho de mar e não podia ser vista por ninguém. O rapaz escondeu-se atrás de uma porta, de onde podia ver a princesa quando passasse. Não decorreu muito tempo e ela veio, acompanhada de uma porção de aias. Quando chegou perto da porta onde Aladim estava escondido, tirou o véu e ele viu seu rosto. A moça era tão bonita que ele desejou casar-se com ela. Chegando a casa contou à mãe seu amor pela princesa. A senhora riu-se e respondeu:
- Meu filho, você deve estar louco para pensar numa coisa destas!
- Não estou louco, mamãe, e pretendo pedir a mão da princesa ao sultão. Você deve procurá-lo para fazer o pedido, disse ele.
- Eu??? Dirigir-me ao sultão??? Você sabe muito bem que ninguém pode falar-lhe sem levar um rico presente, informou a senhora.
- Bem, vou contar-lhe um segredo. Aquelas frutas que trouxe da caverna não são simples pedaços de vidro. São jóias de grande valor. Tenho olhado pedras preciosas nas joalherias e nenhuma é tão grande, nem tem o brilho das minhas. A oferta delas, estou certo, comprará o favor do sultão.
Aladim trouxe as pedras da cômoda onde as tinha escondido e sua mãe colocou-as num prato de porcelana. A beleza de suas cores assombrou a senhora, que ficou certa de que o presente não poderia deixar de agradar ao sultão. Ela cobriu o prato e as jóias com um bonito pano de linho e saiu para o palácio. A multidão daqueles que tinham negócios na corte era grande. As portas estavam abertas e ela foi entrando. Colocou-se em frente ao sultão. Ele, entretanto, não tomou conhecimento de sua presença. Durante uma semana, ela foi lá diariamente, ocupando sempre o mesmo lugar. Afinal, ele viu-a e perguntou o que desejava. Tremendo, a boa mulher falou-lhe sobre a pretensão do filho. O sultão ouviu-a amavelmente e perguntou-lhe o que trazia na mão. Ela tirou o guardanapo de cima do prato e mostrou-lhe as jóias cintilantes. Que surpresa teve ele ao ver tais maravilhas! Durante muito tempo, contemplou-as sem dizer nada. Depois exclamou:
- Que riqueza! Que encanto!
Ele já havia determinado que a filha se casaria com um de seus oficiais; no entanto, disse à mãe de Aladim:
- Diga a seu filho que ele desposará a princesa se me enviar quarenta tinas cheias de jóias como estas. Elas deverão ser-me entregues por quarenta escravos negros, cada um dos quais será precedido de um escravo branco, todos ricamente vestidos.
A mãe de Aladim curvou-se até o chão e voltou para casa pensando que tudo estivesse perdido. Deu o recado ao filho esperando que, com isso, ele desistisse. Aladim sorriu, e quando a mãe se afastou, apanhou a lâmpada e esfregou-a. O gênio apareceu no mesmo instante e ele pediu-lhe que arranjasse tudo que o sultão havia pedido. O gênio desapareceu e voltou trazendo quarenta escravos negros, cada um carregando na cabeça uma tina cheia de pérolas, rubis, diamantes, esmeraldas, safiras e ametistas. Os quarenta escravos negros e outros tantos brancos encheram a casa e o jardim. Aladim ordenou-lhes que se dirigissem ao palácio, dois a dois, e pediu à sua mãe que entregasse o presente ao sultão. Os escravos estavam tão ricamente vestidos que todos, nas ruas, paravam para vê-los. Entraram no palácio e ajoelharam-se em frente ao sultão, formando um semi-círculo. Os escravos negros colocaram as tinas no tapete.
O espanto do sultão, à vista daquelas riquezas, foi indescritível. Depois de muito contemplá-las, levantou-se e disse à mãe de Aladim:
- Diga a seu filho que o espero de braços abertos.
A senhora, feliz com a notícia, não perdeu tempo. Saiu correndo e deu o recado ao filho. Aladim, entretanto, não teve pressa. Primeiro chamou o gênio e pediu-lhe:
- Desejo um banho perfumado, uma roupa luxuosa, um cavalo tão bonito quanto o do sultão, vinte escravos e, além disso, vinte mil moedas de ouro distribuídas em vinte bolsas. Tudo isso apareceu imediatamente à sua frente. Aladim, elegantemente vestido e montado num lindo cavalo, passou pelas ruas, causando admiração a todos. Os escravos marchavam a seu lado, cada um carregando uma bolsa cheia de moedas de ouro, para distribuir pelo povo. Quando o sultão viu aquele belo rapaz, saiu do trono para recebê-lo. À noite ofereceu-lhe uma grande festa. Ele desejava que Aladim se casasse logo com a filha, mas este lhe disse:
- Primeiro, construirei um palácio para ela.
Assim que regressou à casa, chamou o gênio e disse:
- Dê-me um palácio do mais fino mármore, incrustado de pedras preciosas. Nele quero encontrar estábulos, cocheiras, lacaios, escravos. A mais fina decoração, com os móveis mais luxuosos do mundo.
O casamento de Aladim com a princesa realizou-se no meio de grande regozijo. O rapaz já havia conquistado o coração do povo, por sua generosidade. Durante muito tempo eles foram imensamente felizes. Nesta ocasião, o mágico que estava na África descobriu que Aladim era muito rico e querido de todos. Cheio de raiva, embarcou para a China. Lá chegando, ouviu algúem falar do palácio maravilhoso que tinha sido levantado pelo gênio da lâmpada. Resolveu, então, obter a lâmpada, custasse o que custasse. Os mercadores contaram-lhe que Aladim tinha ido caçar e que estaria ausente por alguns dias. Ele comprou uma dúzia de lâmpadas de cobre, iguais à lâmpada maravilhosa, e foi ao palácio gritando:
- Trocam-se lâmpadas novas por velhas!
Quando chegou à janela da princesa, os escravos chamaram-no, dizendo:
- Venha cá. Temos uma lâmpada feia e velha que queremos trocar.
Era a lâmpada maravilhosa, que Aladim havia deixado em cima de um móvel. A princesa não sabia seu valor; por isso, pediu a um escravo que a trocasse por uma nova. O mágico, muito contente, deu-lhe a melhor lâmpada que tinha, e saiu correndo para a floresta. Quando anoiteceu, chamou o gênio da lâmpada e ordenou que o palácio, a princesa e ele próprio fossem carregados para a África.
O pesar do sultão foi terrível quando descobriu que a filha e o palácio tinham desaparecido. Enviou soldados à procura de Aladim, que foi trazido à sua presença.
- Pouparei sua vida por quarenta dias e quarenta noites, lhe informou o sultão. Se durante este tempo minha filha não aparecer, mandarei cortar-lhe a cabeça.
Aladim vagou por toda a cidade, perguntando às pessoas que encontrava o que havia acontecido ao seu palácio. Ninguém sabia dar-lhe informação . Depois de muito andar, parou num riacho para matar a sede. Abaixou-se e juntou as mãos para apanhar um pouco de água. Ao fazê-lo, esfregou o anel mágico que trazia no dedo. O gênio do anel apareceu e perguntou-lhe o que queria.
- Ó gênio poderoso, devolve-me minha esposa e meu palácio! Implorou ele.
- Isto não está em meu poder, disse o gênio. Peça-o ao gênio da lâmpada. Sou apenas o gênio do anel.
- Então, pediu Aladim, leva-me até onde estiver o palácio.
Imediatamente, o rapaz sentiu-se carregado pelos ares. Finalmente chegou a um país estranho, onde logo avistou o palácio. A princesa estava chorando em seu quarto. Quando viu Aladim, ficou muito contente. Correu ao seu encontro e contou-lhe tudo o que havia acontecido. Aladim, ao ouvir falar na troca das lâmpadas, percebeu logo que o mágico era o causador de toda aquela aflição.
- Diga-me uma coisa, perguntou à esposa, onde está a lâmpada velha agora?
- O velho carrega-a no cinturão e não se separa dela noite e dia.
Depois de muito conversarem, fizeram um plano para conseguir a lâmpada de volta.
Aladim foi à cidade e comprou um pó que fazia a pessoa dormir instantaneamente. A princesa convidou o mágico para jantar em sua companhia. Enquanto comiam os primeiros pratos, ela pediu a um criado que lhe trouxesse dois copos de vinho, que ela havia preparado. O mágico, encantado com tanta gentileza, bebeu o vinho no qual ela havia derramado certa quantidade do pó. Suas idéias foram ficando meio confusas e ele pegou no sono.
Aladim, que estava escondido atrás de uma cortina, veio depressa e apanhou a lâmpada do cinturão do velho. Depois mandou que os empregados o carregassem para fora do palácio e o deixassem bem longe dali. A seguir, esfregou a lâmpada e, quando o gênio apareceu, pediu-lhe que levasse o palácio de volta para a China. Algumas horas mais tarde, o sultão olhando pela janela, viu o palácio de Aladim brilhando ao sol. Mandou, então, dar uma festa que durou uma semana.
O mágico, quando acordou no dia seguinte e se viu no meio da rua sem a lâmpada, ficou desesperado. Levantou-se e foi andando, tão distraído que não viu uma carruagem que se aproximava. O resultado foi que morreu debaixo das patas dos cavalos. Aladim e a esposa viveram felizes pelo resto da vida. Quando o sultão morreu, Aladim subiu ao trono e reinou por muitos anos, sendo sempre querido do povo."
FONTE: http://historiasinfantil.blogspot.com.br/2009/03/aladim-e-lampada.html
Soldadinho de Chumbo
Era uma vez um menino que tinha muitíssimos brinquedos. Guardava todos no seu quarto e, durante o dia, passava horas e horas felizes brincando com eles.
Um dos seus brinquedos preferidos era o de fazer a guerra com seus soldadinhos de chumbo. Colocava-os uns de frente para os outros e começava a batalha. Quando os ganhou de presente, se deu conta de que a um deles lhe faltava uma perna por causa de um defeito de fabricação.
Não obstante, enquanto jogava, colocava sempre o soldado mutilado na primeira linha, diante de todos, incentivando-o a ser o mais valente. Mas o menino não sabia que os seus brinquedos durante a noite adquiriam vida e falavam entre eles, e, às vezes, ao colocar ordenadamente os soldados, colocava por descuido o soldadinho mutilado entre os outros brinquedos.
E foi assim que um dia o soldadinho pôde conhecer uma gentil bailarina, também de chumbo. Entre os dois se estabeleceu uma corrente de simpatia e, pouco a pouco, quase sem se dar conta, o soldadinho se apaixonou por ela. As noites continuavam rapidamente, uma atrás da outra, e o soldadinho apaixonado não encontrava nunca o momento oportuno para declarar seu amor. Quando o menino o deixava no meio dos outros soldados em uma batalha, torcia para que a bailarina se desse conta do sua coragem pela noite, quando ela lhe perguntava se tinha tido medo, ele lhe respondia com veemência que não.
Mas os olhares insistentes e os suspiros do soldadinho não passaram despercebidos pelo diabinho que estava trancado em uma caixa de surpresas. Cada vez que, por um passe de mágica, a caixa se abria à meia-noite, um dedo ameaçador apontava para o pobre soldadinho.
Finalmente, uma noite, o diabo explodiu:
-Ei, você! Deixe de olhar para a bailarina!
O pobre soldadinho se ruborizou, mas a bailarina, muito gentil, o consolou:
-Não lhe dê ouvidos, é um invejoso. Eu estou muito feliz por falar com você.
E disse isso ruborizando-se.
Pobres estatuazinhas de chumbo, tão tímidas, que não se atrevem a confessar seu mútuo amor!
Mas um dia foram separados, quando o menino colocou o soldadinho no batente de uma janela.
-Fique aqui e vigie para que não entre nenhum inimigo, porque mesmo que você seja manco, bem que pode servir para sentinela.
O menino logo colocou os outros soldadinhos em cima de uma mesa para brincar.
Passavam os dias e o soldadinho de chumbo não era deslocado do seu posto de guarda.
Uma tarde começou de repente uma tormenta, e um forte vento sacudiu a janela, batendo na figurinha de chumbo, que se precipitou no chão. Ao cair do batente, com a cabeça para baixo, a baioneta do fuzil se cravou no chão. O vento e a chuva continuavam. Uma tempestade de verdade! A água, que caía a cântaros, logo formou amplas poças e pequenos riachos que escapavam pelo esgoto. Um grupo de garotos esperava que a chuva diminuísse, cobertos na porta de uma escola próxima. Quando a chuva parou, começaram a correr em direção às suas casas, evitando pôr os pés nas poças de lama maiores. Dois garotos se refugiaram das últimas gotas que escorriam dos telhados, caminhando muito próximos às paredes dos edifícios.
Foi assim que viram o soldadinho de chumbo enterrado no chão, encharcado de água.
-Que pena que só tenha uma perna! Se não, eu o levaria para casa - disse um deles.
-Vamos levá-lo assim mesmo, para algo servirá - disse o outro, e o colocou em um dos bolsos.
No outro lado da rua descia um riachinho, que transportava um barquinho de papel que chegou até ali, não se sabe como.
-Colocamo-lo em cima e parecerá um marinheiro! - disse o pequeno que o havia recolhido.
E foi assim que o soldadinho de chumbo se transformou em um navegante. A água vertiginosa do riachinho era engolida pelo esgoto, que acabou engolindo também o barquinho. No canal subterrâneo o nível das águas turvas era alto.
Enormes ratazanas, cujos dentes rangiam, viram como passava diante delas o insólito marinheiro em cima do barquinho afundando. Mas não fazia falta umas míseras ratazanas para assustá-lo, a ele que havia enfrentado tantos e tantos perigos em suas batalhas!
O esgoto desembocava no rio, até que o barquinho chegou ao final e afundou, sem solução, empurrado por redemoinhos turbulentos.
Depois do naufrágio, o soldadinho de chumbo acreditou que seu fim estava próximo, ao submergir-se nas profundezas das águas. Milhares de pensamentos passaram, então, pela sua mente, mas sobretudo, havia um que lhe angustiava mais que nenhum outro: era o de não voltar a ver jamais a sua bailarina...
Logo, uma boca imensa o engoliu para mudar seu destino. O soldadinho se encontrou no escuro estômago de um enorme peixe, que avançou vorazmente sobre ele, atraído pelas cores brilhantes do seu uniforme.
Sem dúvida, o peixe não teve tempo de ter problemas de digestão com uma comida tão pesada, já que em pouco tempo foi preso pela rede que um pescador havia jogado ao rio .
Pouco depois acabou agonizando em uma cesta de compra, junto com outros peixes tão infelizes como ele. Acontece que a cozinheira da casa na qual havia estado o soldadinho chegou ao mercado para comprar peixe.
-Esse exemplar parece apropriado para os convidados desta noite - disse a mulher, contemplando o peixe exposto em cima de um balcão.
O peixe acabou na cozinha, e, quando a cozinheira o abriu para limpá-lo, ficou surpresa com o soldadinho em suas mãos.
-Mas esse é um dos soldadinhos de...! - gritou, e foi em busca do menino para contar-lhe onde e como havia encontrado seu soldadinho de chumbo que estava sem uma perna.
-Sim, é o meu! - exclamou espantado o menino ao reconhecer o soldadinho mutilado que havia perdido.
-Quem sabe como chegou até a barriga deste peixe! Coitadinho, quantas aventuras haverá passado desde que caiu da janela! - e o colocou na estante da chaminé onde sua irmãzinha havia colocado a bailarina.
Um milagre havia reunido de novo os dois apaixonados. Felizes de estar outra vez juntos, durante a noite contavam o que havia acontecido desde a sua separação.
Mas o destino lhes reservava outra surpresa ruim: um vendaval levantou a cortina da janela, e, batendo na bailarina, derrubou-a na lareira.
O soldadinho de chumbo, assustado, viu como sua companheira caía. Sabia que o fogo estava aceso porque notava seu calor. Desesperado, se sentia incapaz de salvá-la.
Que grande inimigo é o fogo, que pode fundir umas estatuazinhas de chumbo como nós! Balançando-se com sua única perna, tratou de mover o pedestal que o sustentava. Depois de muito esforço, acabou finalmente caindo também ao fogo. Juntos dessa vez pela desgraça, voltaram a estar perto um do outro, tão perto que o chumbo de suas pequenas pernas, envolto em chamas, começou a fundir-se.
O chumbo da perna de um se misturou com o do outro, e o metal adquiriu surpreendentemente a forma de um coração.
Seus corpinhos estavam a ponto de fundir-se, quando coincidiu passar por ali o menino. Ao ver as duas estauazinhas entre as chamas, empurrou-as com o pé longe do fogo. Desde então, o soldadinho e a bailarina estiveram sempre juntos, tal como o destino os havia unido: sobre apenas uma perna em forma de coração.
FONTE: http://historiasinfantil.blogspot.com.br/2009/04/o-soldadinho-de-chumbo.html
domingo, 13 de maio de 2012
As 20 Metas da Educação para 2020
As 20 Metas da Educação para 2020
1.
Universalizar o
atendimento escolar da população de 4 a 5 anos e ampliar a oferta de educação
infantil para 50% das crianças de até 3 anos.
2.
Universalizar o
ensino fundamental de nove anos para toda a população de 6 a 14
anos.
3.
Universalizar o
atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos.
4.
Universalizar o
atendimento escolar aos estudantes com deficiência.
5.
Alfabetizar
todas as crianças até, no máximo, 8 anos de idade.
6.
Oferecer
educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação
básica.
7.
Melhorar as
médias nacionais do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica).
8.
Elevar a
escolaridade média da população de 18 e 24 anos e igualar a escolaridade média
entre negros e não negros.
9.
Erradicar, até
2020, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% o analfabetismo
funcional.
10.
Oferecer, no
mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à
educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e
médio.
11.
Duplicar as
matrículas da educação profissional técnica de nível médio.
12.
Elevar a taxa
bruta de matricula na educação superior 50%.
13.
Elevar a
qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres e doutores
nas instituições de educação superior.
14.
Atingir a
titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores nas
universidades.
15.
Garantir que
todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível
superior.
16.
Formar 50% dos
professores da educação básica em nível de pós-graduação lato e stricto
sensu.
17.
Valorizar o
magistério público da educação básica.
18.
Assegurar a
existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os
sistemas de ensino.
19.
Garantir a
nomeação comissionada de diretores de escola vinculada a critérios técnicos de
mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar.
20.
Ampliar
progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo o
patamar de 7% do PIB
sábado, 12 de maio de 2012
O ato de educar não é mecanicamente profissional
O ato de educar é de mais árdua paixão, de amor incondicional
O ato de educar exige engajamento, comprometimento, abnegação
É uma luta física e mental diária onde buscamos muito mais do que um simples salário no fim do mês...
Buscamos atingir todos os objetivos...
Desenvolver todas as habilidades...
Orientar todos os conhecimentos...
Facilitar todas as aprendizagens...
O prêmio? É a realização pessoal vinda através de um sorriso de criança frente a uma nova descoberta. Somos, sim! Sonhadoras de um mundo justo repleto de cidadãos críticos, questionadores, participantes, ativos numa Sociedade igualitária, digna, honesta...
Acreditamos no ato de educar em busca do nosso sonho.
Ousamos no desafio de inovar dentro da sala de aula.
Somos partículas de Deus enviadas especialmente para essa sublime missão: Educar!
fonte: http://darcleacardoso.blogspot.com.br/2009/01/reflexao-o-ato-de-educar.html
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